Eu, eu, eu, o morcego se…

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A strange tale - STRANGE - Boddah Diciro

boddah_capa_webStrange – Boddah Diciro

 

A ligação disse que era algo misterioso. Haviam encontrado o corpo ao lado do aparelho de som, o Cd ainda rodava quando encontraram o corpo. Desligaram rapidamente e correram pra chamar ajuda.

Eu sou ajuda.

Vim entender o que houve. O corpo jaz rígido, exangue, no rosto um misto de prazer e medo. O que houve aqui?

Ao lado do corpo a capa de um Cd. Provavelmente o Cd que tocava quando encontraram o morto. Linda capa, belos desenhos, edição especial. Interessante. Procuro o nome dos integrantes da banda, não encontro. Procuro fotos da banda, não encontro. Apenas a banda, apenas o grupo, apenas o coletivo. Não existem indivíduos, apenas a família. Curioso.

Quando começava a ler as letras das músicas, vejo ao lado do corpo algumas anotações. O papel parece que foi amassado num último ricto de dor, um espasmo que contraiu as mãos. Praticamente quebro os dedos do morto para retirar as folhas de papel. São anotações. Pela quantidade de anotações e pela quantidade de músicas no Cd, vejo a relação. Começo a ler…

 

 

 

Ganhei o Cd no festival, chego em casa e vou escutar. Ponho o Cd. Palhetadas, um timbre diferente. Duas notas vão surgindo, um mantra forma. A voz tem dor, ranço, angústia. Embriaguez que me balança? O corpo treme leve, norte, sul, leve. Indo e vindo. É meu coração que bate assim? É meu coração? Fecha os olhos, balança o corpo, norte, sul, leve. Fale pouco, poucas palavras. Tudo estranho. É meu coração?

 

Timbre diferente, bateria criativa, sangue nas cordas, peso, lento. Balança o corpo, norte, leve, sul. Voz de fundo, debaixo dos corpos uma voz vem surgindo. Tenha medo, tenha muito medo. Pausa, batida. É meu coração? Você está me culpando? Culpa, danação, a voz vinda do escuro. Não tenha pressa, meu amigo, eu tenho o dia todo para te fazer sofrer. Lento, arrastado. Eu sou o culpado.

 

Timbre, longo, misterioso. A voz poderia ser mais curta. É pequena, se estica. And Marla says “Slide…”. São as mentiras, e as batidas. É meu coração? Uma dança surge, uma batida, slap, será luz? Flores? Melhor não confiar. Não confie. A voz desafina? Ou afina diferente? Desafina. O fim desafina. Afina diferente.

 

As batidas dentro da cabeça. As batidas. É meu coração? Uma frase segue. A voz do escuro, mente. A serpente persegue a ninfa. Vem, pequenina, segura minha mão. É uma marcha militar, são tiros, rajadas de balas. É meu coração?

 

O baixo, uma levada até alegre. Não acredite!! Não acredite!! A voz surge doce, melíflua. Não acredite!! Querem te iludir, te atrair. Quer me ganhar aqui. Então tente. A voz rasga, foi-se a doçura. Violeta de Outono? Parece Violeta de Outono? A voz me quer pra si. A voz em português. Não acredito.

 

As batidas. Não é meu coração. Não pode ser meu coração. Veloz, subindo, maldade. Parou… era mentira. A voz ressurge gangrenando, corrompendo. Não poder voar, sair desse pesadelo estranho. Como seria a sanidade? Um lepidóptero com asas de sangue. O coração partido, é o coração dela? Tornou-se suave. Não acredite!! Não acredite!! Ela não pode voar. Nem eu.

 

Outra voz. Outro alguém como ele. A afinação é torta, é diferente. Não vai achar. Não vá se incomodar. Ouço a porta abrindo. Não. Não é a porta, é meu crânio. Meu lobo temporal se afasta. Eu sinto descolar. Os galhos sorriem. A porta abre. Não. É meu crânio. Meu cérebro jaz exposto. Fugir. Correr.

 

A batida de novo. Anuncia uma morte. A minha morte. A batida é a trilha sonora do meu pelotão de fuzilamento. Ela se acha feia. Olhos azuis. Verdes? Azuis. A dama dança num contrabaixo enganador. O fogo dos olhos é minha consciência perdida. A batida, assassinos marcham no pátio. E eu digo à Madame Saatan que horror e ódio nos alimentam. Slap na cara. Ela me olha de frente, me vê por dentro. Me vê lindo. Eu sou feio. Sou um idiota. A marcha segue. Alguém grita no telhado, e eu vejo duas flamas me fitando. Seus olhos cores têm fogo. Ela seduz, atrai, me deixa nervoso. Atirem logo! Atirem!!!

 

Me ajuda. Eu preciso de ajuda. A experiência é devastadora. A chave vem do infinito. Alguém me mostre o outro lado. A voz escorre. Alonga, eterniza. Meu crânio aberto. A voz é suave, me quer bem. Não acredite!!! Fuja, continue correndo. Eles estão vindo. O corpo balança, norte leve sul, leve norte sul, teve sorte sul, neve morte sul. Morte.

 

A batida. É meu coração? São as asas do anjo. Sekk or seek? Hyde or hide? Nevermind. Run! Não vou te deixar cair, vou te guardar no meu peito, dentro das minhas asas, vou te devorar viva. A voz grita. Acredita agora. ficou suave, mas não acredite, eles querem te atrair. A trilha sonora do seu extermínio. Não se deixe enganar, eles não te querem bem. Mas está tão suave… como o cheiro amargo de amêndoas que deixa o cianureto. Não acredite, te peço.

 

A viagem. O som do encanto, sussurrado pela ninfa, ela sorri, envolve, seduz, encanta. Não acredite!! A batida, dentro do meu crânio, não é meu coração. Não é. Quer voltar agora? a ninfa sorri, seu sopro suaviza, mas a batida retorna, tenta acordar, tenta sair, não acredite!!! A batida, a maldita batida, as palhetadas. Então dance, maldito! Sua última dança, sua última viagem. Suave… até o fim.

 

 

 

Tudo muito curioso. As anotações geram mais dúvidas que certezas. Melhor ouvir o Cd para entender tudo isso. Boddah Diciro é o nome da banda, o Cd chama “Strange”, mas não há nada de estranho nele.

Aperto o play. Será que existe alguma relação entre as músicas e a morte? Entre as músicas e a angústia que ele traz na expressão? Será que existe alguma relação entre a música, a angústia e a morte? Acho que não.

O Cd parece inofensivo. Vou ouvir, acredito que ele é inofensivo.

 

NÃO ACREDITE!!! NÃO ACREDITE!!!

 

 

 

E do seu canto Boddah continua seu desenho infantil.

Sorri satisfeito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há braços!

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

eduardoinimigo@gmail.com

 

P.S. - quer entender melhor o conto? Leia o conto com o cd rolando e o encarte nas mãos. As respostas estão todas lá. As perguntas?

SERVIÇO:
Boddah Diciro
e-mail:
boddahdiciro@gmail.com
          boddahdiciro@hotmail.com
tel: (63) 9975-0212 / 3028-1208
www.boddahdiciro.com
Palmas-Tocantins

 

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Shakemakers - o rock continua vivo.

shakemakersSHAKEMAKERS – simples.

 

Anos 70.

Talvez você não estivesse por aqui nessa época, mas deixa eu te contar como era o mundo. Não existia celular, Playstation, MP3, sequer inFernet nós tínhamos. As televisões tinham quatro ou cinco canais, e muitas não tinham cores ainda. No Brasil vivíamos um tempo de escuridão política, pessoas sumindo, morrendo, violência sendo mascarada com circo e pão. No mundo (que era longe pra diabo) vivíamos um tempo de sexo permissivo, contestações sociais, movimentos esquizóides niilistas andando ao lado de grupos cheios de flores no cabelo. O mundo convulsionava.

Sabe a única coisa que fazia sentido nesse tempo? Rock´n Roll.

Também era um tempo em que não existiam tantos rótulos. Não existia Power metal, HC novaiorquino, grunge, psy-trance nem emo. Existia rock.

Parece um mundo simples, não é mesmo? E era.

 

 

 “Eu não me esqueci de te ligar. Eu só não quis.”

 

 

Simples, não? Sem firulas, sem frescuras, sem voltejos e rodeios. O Rock é bom quando é direto, cru, selvagem, cínico e da cintura pra baixo. Rock divertido, atrevido, de óculos Rayban e blusão de couro. Rock de guitarra, baixo, bateria e voz rasgada. O rock que era feito nos anos 70 e que marcou e criou tantas gerações.

 

 

“Todo mundo quer andar contigo, cara esperto cercado de amigos”

 

 

A idéia de montar uma banda de rock sempre foi diversão. Juntar os desajustados que não eram chamados para jogar bola e fazer algo que aterrorizasse a vizinhança e seduzisse as púberes peitudinhas da sala ao lado. Ousado, safado, mas também inocente, terno e carinhoso, como os bons homens são.

 

 

“O nosso amor é tão grande, que vai além do jardim”

 

 

Então um dia quatro caras se uniram com um conceito: fazer rock bom. Simples, né? E dessa simplicidade básica, objetiva e direta surgiu o SHAKEMAKERS do Brasil. A musicalidade visceral e eviscerante dos anos 70, os recursos do século XXI e décadas de informação musical e de vida (já não são garotos) pariram esse coquetel de rebolado com porrada. Usando as leituras e releituras com inteligência e malícia, eles não fazem som datado, reciclado ou caricatural. SHAKEMAKERS bebe das melhores fontes, processa, digere, difere e apresenta uma banda que aponta pro futuro, pra frente, pro meio dos seus olhos. A provocação é autêntica, a atualidade é legítima, aqui não existem bocas de sino ou faixas na cabeça, somente as bocas abertas da platéia e a paixão pelo barulho bem feito.

 

 

“Eu não quero nem saber pra onde você vai”

 

 

“Rock´n Roll é bom pra mim!” é o nome do CD. De novo, simples demais. Não existem teorias que explicam, não existem elaborações teóricas, masturbações intelectuais, existe sim o pedido claro para acelerar nessa estrada enquanto as beldades negras uivam maliciosamente na sua orelha. Acelere, não ouse parar.

 A indecente combinação de solos criativos e atrevidos de baixo, uma guitarra precisa e preciosa dedilhada com fúria e apuro, a bateria magnética e suingada nos momentos certos e uma voz que se agiganta na frente dessa tropa de simplicidade setentista. Ouvir SHAKEMAKERS é pedir para pegar a estrada e subir os giros do motor, vê-los no palco é festa. A massa sonora que parece se avolumar a cada apresentação empurra a platéia para trás, que resiste e só consegue se aproximar do palco requebrando e pulando, e a festa está instalada.

A capa charmosa do Cd mostra quatro super-heróis beats nobremente escudados pela marca Allegro (símbolo de cuidado e elegância). A musicalidade, a velocidade, os cabelos ao vento e o golpe no queixo que deixa claro uma verdade: Shakemakers voa como uma borboleta e ferroa como uma abelha.

 

 

“Você se entregou e isso é problema teu, ontem a noite até que foi bom pra mim”

 

 

Abrir esse Cd, colocar pra rodar e ouvir cada faixa com um sorriso nos lábios é uma cópula entre amantes, cheia de suor e desejo, aonde não cabem mentiras nem desculpas, já que só se encontram quando se tesam e se querem. Simples de novo.

Em outra banda poderia parecer atrevimento, mas quando SHAKEMAKERS emoldura a versão do hino anti-racista de Dylan, com rimas brasucas, com um vocalista negro, com atitude, dentes à mostra, raiva e energia, só podemos pensar uma coisa: cara, é isso! SHAKEMAKERS tocar “Hurricane” é simples. Natural até.

Hoje o mundo parece um lugar complicado, com guerras religiosas, epidemias mundiais, doenças incuráveis e grandes crises financeiras. Mas não se engane, o mundo ainda é um lugar simples. Ouvir SHAKEMAKERS deixa isso claro. Um mundo onde as pessoas se amam, um mundo onde os excessos ensinam, um mundo onde as liberdades são valiosas, um mundo onde as grandes vozes precisam ser ouvidas. The Animals, MC5, Thin Lizzy e T-Rex teriam orgulho desses caras.

 

 

“Eu tô voltando pra casa ferido!

Eu tô voltando pra casa sangrando!

Eu tô ferido… mas eu não fui vencido!”

 

 

Sabe quem diz isso? O rock.

SHAKEMAKERS é o porta-voz do rock. Rock que ao longo dos últimos tempos foi mal tratado, vilipendiado, explorado, humilhado. Rock que tentaram rebaixar, diminuir, esvaziar, mas que não abaixou a cabeça, que não perdeu sua dignidade e continua a sacudir os quadris e as mentes.

O Rock está ferido, sangrando, mas não foi vencido.

Ele está no Cd do SHAKEMAKERS “Rock´n roll é bom pra mim!”, da Allegro Discos.

Simples, não?

 

 

 

 

Há braços!

 

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

eduardoinimigo@gmail.com

 

 

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V Tattoo Rock Fest - começou bem

(Alguma coisa bizarra aconteceu e esse texto, que eu havia postado no sábado - segundo dia do Tattoo Rock Fest - desapareceu. Nossos técnicos e a equipe de desenvolvimento do site se uniu a um grupo de pesquisadores da universidade de Sandurst e finalmente o texto foi resgatado. Ei-lo aqui.)

V Tattoo Rock Fest – não fui, mas vi muita coisa.

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Ontem começou o V Tattoo Rock Fest.
Mais que um festival de rock, um encontro cultural, um momento de diversidade, uma celebração de um estilo de vida alternativo, e junto de tudo isso, um festival de música. Atentou para o detalhe? Não um festival de rock, mas de música. Diversidade, alternância, inovação, coisas que o freakin Danilo gosta.
Tudo pronto para ir, na hora de sair uma leve febre, uma dificuldade para pegar no sono, um dos tubarões aparece doentinho, e entre o rock e meus guris a escolha é natural. Fiquei quieto em casa vigiando minhas crias, entre preocupado e frustrado, mas ciente e consciente da escolha. A noite estava fria, prometia ser excelente para o evento, mas preparei um monte de pipoca, uma dose generosa de Jack, algumas cervejas geladas e um filme selecionado.
Mas mesmo não indo eu busquei saber, tenho informantes na cidade e meus olhos vão aonde o corpo não vai. Lá se foram meus olhos (alguns verdes, outros embriagados. hehe).
O público da primeira noite foi bom. O comparecimento até surpreendeu um pouco, dada sua generosidade, mas ainda existe a expectativa de mais gente para hoje e amanhã (principalmente porque amanhã tem o resultado da disputa entre tatuadores). Uma praça de alimentação generosa, com yakissoba (tá virando sucesso nos eventos alternativos da cidade), salgados, cerveja gelada (Heineken e Sol, para todos os gostos e desgostos) e a decepção mais comum dos últimos tempos: não havia acarajé.

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A exposição de fotos da Noêmia Elisa chamou atenção, principalmente por causa das fotos de belas mulheres e bólidos metálicos entre as pernas (estou falando de motos que elas montam nas fotos, tarados!), juntando o fetiche e o talento, Noêmia registrou excelentes comentários.
Os shows alternaram entre o que se esperava e algumas surpresas positivas.
A Tropa retorna pela segunda vez a um evento do Tattoo por causa da sua diversidade. Três vozes se alternando numa proposta mais rap e skatista, uma mistura difícil de apresentar, mas que agradou ao público.
O Ragga Rural é um projeto do vocalista do Mammajama com o MC do Testemunha Ocular, levando rap com reggae numa mistureira meio natureba. Mas dadas as competências somadas, o negócio também foi bem avaliado pelos meus espiões contratados.
Johnny Suxx agora conta com duas beldades no vocal, e a fórmula já mostrou serviço no Bananada, sendo validada de vez nesse show. Muita animação, rock e duas gurias cantando (sendo três, se contarmos Joana), o show dos Fucking Boys se mostra ainda mais atraente.
O Tia Velha e os Cara de Pau é um projeto criativo e atrevido, feito por gente que entende. Só para dar exemplo Homero (HxHx) nos vocais e Fred Valle na bateria, precisa dizer mais alguma coisa? Competência, talento e uma escolha de repertório de primeira categoria. Os sons do Police foram muito elogiados, bem como AC/DC.
Scania veio para tampar buraco, sabendo que eram pra tampar buraco, não se abalaram e moeram a cabeça das pessoas com seu peso destruidor e um dos shows mais poderosos que existem atualmente. O Violator deixou muitas viúvas inconsoláveis, mas o reserva teve brilho próprio suficiente.
O pessoal do Ledbetter poderia penar porque fazem cover (do Pearl Jam), mas foram bem recebidos. E se entraram pela graça do povo, continuaram no palco pela excelência demonstrada. Alfredo, das aparelhagens de som, comentou o tanto que os caras são bons, ainda com muita estrada pela frente. Legal isso!
Falar o que de Makakongs? Nada é necessário. Um sujeito cri-cri como o Phu não se permite nada além de um show de primeira, e foi o que fizeram.
Agora é se preparar porque tem mais logo daqui a pouco (programação de hoje e de amanhã vai no final do texto), e além de tudo isso ainda tem uma porrada de tatuadores tatuando (óbóvio, né?), uma pista de skate (street) à disposição dos fritos da pranchinha e muita gente legal circulando pra lá e pra cá.
Cai pra lá e confere o novo espaço que o Danilo descolou pra eventos alternativos na cidade. Lembra do começo do texto: diversidade, alternância e inovação. Tá tudo lá.

Há braços!

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
eduardoinimigo@gmail.com

P.S. – esse texto só saiu graças aos esforços concentrados de Adrielly Von D e Pedro Reator, meus mais nobres colaboradores. Valeu, meninada, continuem o bom serviço.

Programação de hoje e de amanhã:

sabado
SABADO – 06 DE JUNHO

16:00 - DREAD PENTELHO (GO) – rockdeboche
16:45 - NALATA rocktronico (DF) - http://www.myspace.com/bandanalata
17:30 - ANDY ROBBINS(USA) & SUNROAD (GO) - www.andyrobbins.com
18:15 - FIGADO KILLER (GO) - http://www.myspace.com/figadokiller
19:00 – DESFILE DE MODA POR KELLY FERNADES
20:00 - PEDRINHO GRANA E OS TROCADOS (DF)
20:45 – RED OLD SNAKE (DF )- www.myspace.com/redoldsnake
21:30 - BANDA DEVON (GO)- www.myspace.com/devon_banda
22:15 – U-GANGA (MG) - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1407368
23:00 – PATO COM LARANJA(GO) –
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=4479994486293918889
23:45 - GALINHA PRETA (DF) - http://www.myspace.com/galinhapreta
00:00 - A COISA (GO) - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=5737810

domingo
DOMINGO -07 DE JUNHO
16:00 - SOATÁ (DF) - www.myspace.com/soatatambor
16:45 - 10ZERO4 (DF) - http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=1615
17:30 - MONSTER BUS - (GO)
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=61804653
18:15 – JULGAMENTO DAS TATUAGENS
21:00 – TRAVELIN’ BAND (CREEDENCE COVER)
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=18225579287909188613

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Tattoo Rock Fest

Não, eu não sei o que aconteceu. O post que falava do V Tattoo na noite de sexta-feira desapareceu e eu não tenho a menor idéia do que aconteceu. Reforço meus agradecimentos à Adrielly e ao Pedro Reator pela colaboração, e vou ver se consigo resgatar o texto.
Peço desculpas a quem vem até aqui.

Há braços!

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
eduardoinimigo@gmail.com

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“Fósqui” lança seu novo site. Agora vai pegar fogo! (putz, essa foi pobre pra diabo…)

fosquiCambada,
Não deixem de visitar o novo site da Fósforo Cultural. Está recheado de coisas bacanas e novidades.
Confira os destaques dessa semana:
- Mugo lança “Go to The Next Floor” no Bolshoi Pub (no post abaixo o Inimigo deu antes! E gostou!)
- Vem aí: 3ª Prom Night

Acesse: www.fosforocultural.com.br !

Grande abraço,
Equipe Fósforo

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Mugo te convida. É melhor aceitar. hehe

mugo

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Uma excelente idéia. Repasse.

espalhe

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André Alemão solta o verbo. E a chama aumenta.

andraReativando o blog, voltando a escrever sobre o rock e seus desdobramentos. Pros amigos que cobraram nestes meses alguma novidade de nossa parte, aqui vai um texto sobre uma discussão muito massa que rolou no espaço virtual, sobre a viabilidade de ganhar a vida dentro do rock. E o que é mais interessante, pelo menos para o blog, é que neste texto estará implícito o motivo de um hiato tão generoso de publicações neste espaço.

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Viver de rock… quem não quer? Música, estrada, romantismo (na acepção do termo), aventura, enfim. Pense em todos os clichês que podem ser descritos aqui. Mesmo sabendo que nem tudo são flores. Ciente de que para 99% dos artistas do rock, a coisa é ralação de pedreiro, mesmo assim, eu gostaria de viver de rock. Tocando? Quem sabe, pois não tenho técnica para isso. Quem sabe aprimorando meu texto e vivendo de escrever sobre rock? Vislumbro o que seria: shows sucessivos, sempre nos rolês, trocando idéias com todo tipo de maluco, e realizando um sonho de quando eu era espinhento, magrelo e punheteiro. Mas o melhor: sendo já adulto e pagando minhas (muitas) contas com o trampo dos sonhos. Nada mal.
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Alguns amigos me disseram que seria possível: elogiaram meus textos abaixo publicados, me disseram que poderiam estar em sites por aí, enfim, fizeram o papel que se espera de um amigo. O problema é que gente que não é tão chegada assim também fez o mesmo – elogiou o que estava aqui neste blog e a idéia em si. A coisa degringolou mesmo quando gente que eu nunca tinha visto na vida me parou no Cererê e me perguntou: “é você que escreve o Rango Rock? Mó massa o texto e tals…”. Pirei.
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Mas aí eu olho para minha vida: carreira na educação, que eu também amo, já consolidada, rendimentos que pagam minhas contas, embora no mesmo improviso de uma vida de roqueiro, em suma, estabilidade dentro da normalidade. Começar do zero outra vez já com família constituída é algo que um cara cauteloso como eu jamais faria.
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Eu li um texto do Foca no site do Eduardo Inimigo, relacionando a atitude e a obtenção de resultados, para se firmar como operário do rock. Viver de produção independente de cultura no Brasil. Excelente concatenação de idéias, colocando de forma bem simples uma verdade: sem objetivo traçado, necas de resultado. No pain, no gain. Vou tentar amarrar meu devaneio inicial com a idéia que mais se debateu no mundo virtual nos últimos dias, mas sob um outro prisma.
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Muita gente não aposta em cultura independente, no rock em específico, porque não parece algo sólido. Não é uma justificativa da minha parte, e não me refiro a estas humildes linhas que rascunho por aqui neste endereço. Me refiro aos milhares de produtores e músicos amadores Brasil afora. Pensando mesmo pelo lado do empreendedorismo, saltar para uma carreira no rock, investindo tempo de média duração para um negócio (5 anos) e grana considerável, é algo assustador. Pensar nos vários “e se…”, abandonar o chão firme e transpor as energias para o “mui duvidoso” não é um convite sedutor. Quantas bandas boas, raladoras, que correm atrás, e que nós conhecemos, que não deram em nada? Quantos produtores, só aqui em Goiânia, que conseguiram somente dívidas, para serem pagas com o “trampo oficial”, preço de sua aventura no rock?
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Medroso, cuzão, conservador, você deve ter pensado aí do outro lado do monitor. Mas não posso deixar de considerar que este fator – a enorme possibilidade de fracasso em investir em rock – seja um dos preponderantes para desanimar muita gente de talento. O sol nunca brilhou para todos, e a seletividade nem sempre escolhe o que há de melhor no cenário cultural. Enfim, as variantes são múltiplas, e aqui eu abordo somente uma delas, o que vai dar jeito de “estudo de caso” pro texto. Mesmo assim, colar no rock e querer viver dele é um sonho pra muito moleque por aí. O problema é a coragem de investir bons anos da vida num troço que até o mundo mineral (adoro quando o Carta escreve isso, he he he…) sabe que não dá retorno. A mudança cultural no Brasil (o que a história chama de mentalidade, neste caso) para promover o rock a um patamar de negócio, como acontece na Europa ou nos Estêites, caminha a passos de preguiça amazônica. Na Seattle do cerrado (desculpe a forçação de barra, mas não resisti ao chiste) este discurso de que a coisa vai dar certo, só falta trabalhar, existe há uma década. E na modesta opinião do grão de areia que digita de cá, muito pouco aconteceu depois de tanto trabalho. Há quem negue a ralação do pessoal da Monstro, Fósforo, Two Beers e outras? Há doido que não reconheça o brilho de um Ressonância, de um Spiritual, de um HC-137, e outras? E mesmo com o “mãos à obra”, patinaram na questão cultural de aceitação do rock como produto alternativo de cultura. Ou seja, se não está na porra da MTV, não decola.
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Eu entendo quem não põe pra foder, e admiro a coragem de quem rasga matagais nunca dantes rasgados por botinas goianas. Eu infelizmente sou cético. Não compartilho do entusiasmo do Inimigo, ou do rapaz dono do belo texto que li. O mundo do emprego chato, da rotina, do salário mensal, ainda é mais sedutor. Não pense você que eu gosto de admitir isto. Mas conclamar a molecada pra empreender no rock, e dizer pra eles que mesmo com um excelente trampo, mesmo com investimento, mesmo com profissionalismo, a coisa ainda pode dar errado, e na maioria das vezes, DÁ, não é nada estimulante.
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Desculpe minha amargura, caro e esporádico leitor. São meus punhadinhos de anos no rock que me disseram isso que escrevi. Quantos projetos sensacionais eu vi morrerem aqui em Goiânia por simples falta de mercado pra eles… Nem vale a pena lembrar. Quero estar vivo quando a mentalidade brasileira mudar, e melhor ainda, o provincialismo goiano acabar. Vide caso do pessoal do 5ª Ativa, que não comento pra não me exceder em palavras digitadas e mal usadas. Os porcos por aqui já devem estar mui soberbos de tanta pérola que o cenário rock atira pra eles. Quanto à centúria que aprecia o produto, que permanece fiel à cultura urbana e barulhenta, resta torcer pra que a coisa vire mais rápido do que na última década.
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André “Alemão” Erl (é o sujeito da foto com a Heineken nas mãos. Bom gosto do sujeito.)

 

 

Tá dado o recado. O meu vem depois.

há braços!

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

eduardoinimigo@gmail.com

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Gente que rala é que constrói o ROCK

 

technicolor

Depois do texto do Foca (logo abaixo) muita gente se posicionou, soltou a voz, falou verdades, e bom perceber que ninguém entrou na prosa de provocação gratuita. Todo mundo quer contribuir, como bem falou o Guilherme Batata, tem muita gente preocupada e levando a sério o rock independente.

Essa semana tivemos outras provas disso aqui na terrinha pequizeira. Na quinta-feira o Technicolor lançou seu primeiro Cd e fez uma festa bonita no Bolshoi. Para apimentar o tempero trouxeram os papa-chibés do Madame Saatan. E aí a gente começa a ver que tem gente que se dedica a essa maluquice de rock independente com seriedade, mas principalmente com paixão.

E não vou falar sobre o Cd ou o lançamento que o Technicolor fez. Eu não fiquei no Bolshoi pra ver a festa toda, passei por lá rapidamente e fui embora pra cama. Não vou falar sobre a banda, até hoje não entendi o som deles, acho complicado, elaborado ou erudito, tem flauta, tem violino agora, tem Rafaela, tem muita referência que não entra na minha cabeça dura, então não vou ser petulante de falar do que não sei (pelo menos uma vez na vida. Hehe). Sei que o Juarez mostrou ser artista de verdade com o trabalho que fez no cd (imagem que abre o post), que ficou um troço lindo de escangalhar. Meu vínculo mais próximo com a banda é minha amizade com o pai da vocalista Sara, o grande Danilo Alencar, um dos melhores diretores teatrais que já tive a honra de ver trabalhar. Aprendi muito com ele. Mas não vou falar disso.

madame

Não, de tudo isso eu quero falar do Madame Saatan. Os paraenses vivem hoje em São Paulo, não vivem nababescamente lá na Casaverde porque roqueiro tem mais é que se fuder mesmo, mas é uma banda que já consegue viver da sua arte, sendo respeitada e valorizada. Participações em programas televisivos, shows em boas casas, cachês (nem tão generosos assim, mas vamos lá…) e mais um monte de referências bem dadas por todo mundo que já teve a sorte de se atropelado por essa patada de rock pesado com suingue e charme.

Com tudo isso a banda ainda se mostra de uma simplicidade bacanuda. Encararam doze horas de estrada pra chegar aqui e tocar no lançamento do Technicolor, mal dormiram e já abriram rota na estrada montados novamente num baúzão rumo as terras paulistas. E fizeram isso tudo rindo. Esquecendo coisas pra trás, mas sem esquecer da rosca de rodoviária, mostraram que tem a insanidade necessária nos olhos e o pique indispensável pra batalha.

Em meio à pré-produção do segundo Cd, o Madame Saatan percebeu que vir à GoiâniaTown valia mais que o cachê. Valia a parceria com uma banda que eles respeitam e valorizam (o Technicolor, claro), valia a parceria com um selo ralador como a Fósqui e um sujeito gente-fina (mas que não sabe explicar endereço), Mr. João Lucas. Parece brodagem o que os paraenses fizeram? Parece, e muitas vezes é. Mas acima de tudo uma coisa precisa ser destacada: cansados, viajados, rodados, com muitos planos pela frente e na mente, e ainda assim vieram e fizeram um show com toda a competência que têm, que é bastante. Não fizeram show meia boca por não ser um esquema que desse grana, não fizeram de qualquer jeito por ter amigos envolvidos. Os caras (e a cara) vieram e moeram a cabeça de quem estava na frente. Bem ao estilo lutador de Muay Thay que eles agora seguem. E esse é um exemplo.

ressonancia

Quer outro? O Ressonância Mórfica. Os caras estão em turnê pelo país (na foto um cartaz da tour) e conseguiram isso graças aos contatos (parece brodagem de novo?) e ao puta trabalho bem feito. Disse isso uma vez no orkut e digo de novo: os contatos podem te abrir as portas para um primeiro show em outra cidade, mas se o show for lixento, se as músicas forem ruins, se a banda só quiser encher a cara e ficar de chapação, esse não vai ser o primeiro show, vai ser o único. Os amigos abrem as portas, mas a competência segura ela aberta. E isso o Ressonância é possuidor com honras.

Tive uma prosa virtual com o Marcos Campos, popular Marcão, vocalista do Ressonância, e ele conta que o esquema é puxado, mas recompensador. Isso porque mesmo com características próprias, em todas as cidades eles viveram uma situação comum: foram muito bem recebidos. Público presente, shows tensos e intensos e os caras já rodaram mais de um mês por estradas que nem sempre merecem esse nome. No dia que conversamos eles iam tocar em Teresina, capital suarenta do Piauí, no Bueiro do Rock, que segundo Marcão é um “puta lugar” pra se tocar. Sabia do Bueiro do Rock em Teresina? Pois é, nem eu. E no dia seguinte tocariam em Parnaíba.

Vai até o Google Maps e procure Parnaíba e Teresina. Uma praticamente ao lado da outra, é pertinho, mas aí surgem os percalços de quem está no rock. As enchentes que vem acontecendo no nordeste, com maior intensidade no Piauí e no Maranhão, levaram a ponte que eles deveriam atravessar. Problema? Cara, entende uma coisa; depois que passaram a usar a palavra “desafio” não existe mais “problema” pra quem se vira. O povo da produção ia levar os sujeitos pra Sobral, no Ceará e de lá pegar um “atalho” (palavras do Marcão. Atalho! Pensa!) pra Parnaíba.

Parece difícil, eu sei, e é difícil. Os caras estão num ritmo de tocar feito doidos em praticamente todas as noites, quando não estão sacolejando o costado e machucando os rins cruzando os estados. E ainda tem sujeito que reclama que não recebe água quando vai tocar! O Ressonância, seguindo a escola ramônica, vem ganhando alguma grana vendendo material durante esses shows, e nas sábias palavras do Marcão “é uma mistura de dificuldade, superação, saudade, loucura, determinação, ação, reação e afins”.

Guilherme Batata, baixista do Technicolor me contou sobre uma excursão que fizeram ao sul do país, tocando todas as noites e viajando numa van que parecia transporte de gado escolar. Canseira né? Mas graças a essa porradaria vivida, Batata credita que a banda melhorou demais, cresceu e se uniu muito mais depois da bronca. Nem sempre tocando em bom equipamento, nem sempre dormindo bem (o sujeito queria dormir em pé, de tão ruim eram os bancos da van), mas acreditando que aquilo fazia parte de um processo maior de crescimento da proposta.

tatoo

Meu último exemplo é o Danilo, que está organizando o V Tatoo Rock Fest, que acontece no próximo fim de semana aqui em Goiânia (5, 6 e 7 de Junho, cartaz aí na foto). O sujeito já provou pro mundo que é bom organizador de eventos (o show do Sangue Seco no Rock Solidário é um dos que não esquecemos nem embriagados), fez uma escalação poderozza pro festival e ainda tem gente enchendo o saco porque ele não revela qual será o show de encerramento do festival. Parece difícil? É difícil.

E só reforça o que foi dito no primeiro parágrafo, temos muita gente levando a sério o trampo e buscando fazer do rock independente um lugar de resultados. Por mais que isso soe neoliberal e marketeiro (como meus detratores gostam de me rotular), isso não é nada mais que vida real e verdade.

Sucesso aos que continuam na luta. À eles ergo meu caneco e puxo um brinde: Bebamos aos guerreiros incansáveis, aos amigos ausentes, namoradas secretas e à estação das Brumas. E que cada um dê ao diabo aquilo que ele merece (quem lê HQ conhece um brinde muito parecido com esse)!

Agora chega de papo, vamos trabalhar!!

 

 

 

Há braços!

 

 

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei

eduardoinimigo@gmail.com

 

 

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